Mossa - Núcleo de Pesquisa em Performance foi criado por André Rodrigues, Elilson, Flávia Naves e Miro Spinelli para a prática e a pesquisa continuada em performance, tendo como ponto de partida as nossas práticas artísticas e de vida. Como primeira ação do núcleo, propomos um laboratório intensivo dividido em módulos ao longo de cinco finais de semana consecutivos. Nos quatro primeiros módulos, cada um de nós irá propor diferentes abordagens do fazer performativo, com o intuito de compartilhar nossas pesquisas e, por meio de uma perspectiva prático-teórica, acionar a experimentação artística. O quinto módulo é dedicado à execução das ações que serão elaboradas pelas participantes durante e após os quatro primeiros módulos, inseridas num processo de orientação de projeto.

 

 

Módulo 1: Performance e espaço urbano, por Elilson

Partindo da leitura coletiva de textos teóricos e trabalhos artísticos que investigam e experimentam o espaço urbano, discutiremos como a prática de performances em ruas e transportes coletivos pode tensionar o controle urbano e movimentar negociações éticas para que o espaço não seja apenas de passagem, mas público e que “usuários” e “transeuntes” sejam concidadãos que exercitam modos de dizer coletivamente o que quer e o que pode a cidade. Além dos debates, realizaremos coletivamente ações em vias públicas. 

Elilson é performer e professor. Mestre em performance pelo PGGAC/UFRJ e graduado em Letras pela UFPE, já integrou exposições coletivas, mostras e festivais em Assunção, Curitiba, Lisboa e Rio de Janeiro. No teatro, participou de vários espetáculos e festivais, colaborando, em 2017, com a companhia alemã Rimini Protokoll no projeto “Home Visit Brasil”. Também em 2017, publicou o livro “Por uma mobilidade performativa” (Editora Temporária). Atualmente, é artista-bolsista do programa de formação/deformação da Escola de Artes Visuais do Parque Lage. 


Módulo 2: Performance e bufonaria: políticas da subversão, por André Rodrigues


Partindo da ideia de um campo expandido da bufonaria, este módulo propõe experiências práticas a partir do bufão, figura capaz de, através da provocação, gerar perturbação nas normas, saberes e poderes estabelecidos. Confundindo as instâncias de quem é o provocador e quem é o provocado, o bufão escava repertórios outros de possibilidades e transbordamento de afetos e limites. 

André Rodrigues é performer, ator e professor de artes visuais. Doutor e mestre em Artes Cênicas pelo PPGAC/UNIRIO investigando o diálogo entre performance, grotesco, palhaço e bufonaria. Nos últimos anos tem participado de exposições coletivas, mostras e festivais de arte em cidades como Nova Iorque, Assunção, Curitiba e Rio de Janeiro. Website: https://andrerodriguesart.wordpress.com/


Módulo 3: Ação corpo Figura, por Flávia Naves


Neste módulo acionaremos o corpo Figura, prática artística e de vida que me acompanha há cinco anos. A prática busca modos de desarticular processos normatizadores do corpo através da troca intersubjetiva de elementos que vestem os corpos e do contato com marcas ancestrais, históricas, íntimas e sociais. Neste percurso, imagens outras passam a habitar os corpos e a fissurar o cotidiano da cidade. Leituras, exercícios de ativação da presença e programas de ações, nos guiarão por esta experimentação e reinvenção de si.

Flávia Naves é também Caio e Flávia. Performer, atriz e educadora, é doutoranda em Performance pelo Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas da UNIRIO. Performa nas casas e ruas da cidade do Rio de Janeiro desde 2013. Em 2014 é contemplada pelo prêmio Funarte Artes na Rua e em 2016 e 2017 convidada a participar do Festival de Performance Atos de Fala. É integrante da companhia carioca Teatro Inominável e curadora da aba Performance da Mostra Hífen de Pesquisa-Cena, Mostra Bienal de Artes da Cena.


Módulo 4: performance matéria despossessão, por Miro Spinelli


Este módulo parte da minha prática e de outras artistas da performance atreladas a referenciais teóricos para pensar e experienciar a prática performativa como ferramenta política, especificamente no que tange a possibilidade de criar contra-ontologias ou zonas de não-ser. Para isso, estudaremos os conceitos de "performatividade", "programa performativo", "coisidade" e "despossessão", dentre outros, e realizaremos coletivamente alguns exercícios criativos para corpos, matérias, materiais e objetos. 

Miro Spinelli é performer, pesquisador e vive no Rio de Janeiro. É mestre em Performance pelo Programa de Pós-Graduação em Artes da Cena da UFRJ. Atualmente investiga a performance e sua relação com as materialidades, com a escrita, e a dissidência. Interessa-se por temas como precariedade, abjeção, decolonialidade, política dos afetos e transgeneridades, tendo como foco o corpo e suas possíveis poéticas e políticas. http://mirospinelli.com/


Módulo 5: Programa de ações


Neste módulo os participantes do laboratório experimentarão o processo de criação de ações/performances a partir da (des)orientação dos artistas ministrantes, quando o participante experienciará no próprio corpo sua autonomia de criação. O objetivo deste módulo é que as ideias e entendimentos de cada participante construídas e alimentadas ao longo dos outros módulos de Mossa possam atravessar sua carne e ganhar o espaço, numa dinâmica de compartilhamento de práticas artísticas, ideias e desejos.

 


 

Datas e horários: sexta-feira dia 08/06 das 19 às 22h, sábados e domingos de 09/06 a 08/07 das 14 às 18h.
Investimento: R$ 340,00*
Local: Cinelândia, sede do grupo Gestopatas

Inscrições: mossaperformance@gmail.com
Contato: (21) 994 242 694
Evento Facebook:  https://goo.gl/tJifXV

*caso você tenha sentido o chamado para participar do laboratório, mas este valor é impeditivo para você, fique a vontade para entrar em contato a fim de encontrarmos uma maneira de você estar.

 


 

Referências

ARAUJO, Ítala Isis. Corpo errante. Niterói: UFF, 2016. 133 págs. Dissertação, Programa de Pós-Graduação em Estudos Contemporâneos das Artes, Universidade Federal Fluminense, Niterói, 2016.

BRAGA, Bya (org.). O bufão e suas artes: artesania, disfunção e soberania. São Paulo: Paco, 2017.

FABIÃO, Eleonora. Programa Performativo: o corpo em experiência. In: Revista do LUME, n. 4, Unicamp, 2013.

GÓMEZ-PEÑA, Guillermo. Exercises for Rebel Artists: Radical Performance Pedagogy. NY: Routledge, 2011.

GUATTARI, Felix; ROLNIK, Suely. Micropolítica: cartografias do desejo. Petrópolis, RJ: Vozes, 2013. 

KAPP, Silke. Alienação via mobilidade. Campinas: Oculum Ensaios. V. 15, 2012. p. 30-41

LEPECKI, André. Coreo-política e coreo-polícia. In: Ilha, Revista de Antropologia. V. 13, n. 1,2. Florianópolis: Universidade Federal de Santa Catarina, 2011.

____________ 9 variações sobre coisas e performance. In: Urdimento: Revista de Estudos em Artes Cênicas, n. 19, 2012.

MATTIUZZI, Michelle. Breviário sobre uma Ação Performática: Só entro no Jogo!. eRevista Performatus, Inhumas, ano 1, n. 5, jul. 2013. ISSN: 2316-8102

MOMBAÇA, Jota. Gritaram-me aberração: inexistencialismo e fugitividade. In: Juventude e Cidade – a potência do um e do comum. Belo Horizonte: Folium, 2017, p. 210-231.

NASCIMENTO, Elilson. Por uma mobilidade performativa. Rio de Janeiro: Editora Temporária, 2017.

NAVES, Flávia. corpo Figura. Niterói: UFF, 2016. 129 págs. Dissertação, Programa de Pós-Graduação em Estudos Contemporâneos das Artes, Universidade Federal Fluminense, Niterói, 2016.

ROLNIK, Suely. Cartografia sentimental: transformações contemporâneas do desejo. Porto Alegre: Editora da UFRGS, 2011.

SODRÉ, Muniz; PAIVA, Raquel. O Império do Grotesco. Rio de Janeiro: Mauad, 2002.

TONEZZI, José. A cena contaminada: um teatro das disfunções. São Paulo: Perspectiva, 2011.

 

Vídeo

“Liberdade de gênero” com Linn da Quebrada
https://goo.gl/ae8x7x

 

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