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Nas palavras de Adriana Schneider, curadora convidada para a aba PÓS-PÓS-GRADUAÇÃO:

A ideia é refazer, em modos-de-produção heterodoxos, os ritos das defesas de mestrados e doutorados acadêmicos. Flavia Naves, Haroldo André, Isabel Penoni e Luiza Leite, os artistas-pesquisadores convidados para este experimento, realizaram suas pesquisas nas Grandes Áreas: 8.02.00.00-1 - Letras, 8.03,00.00-6 - Artes e 7.03.00.00-3 - Antropologia, em Programas de Pós-Graduação da UFF, da PUC-RJ, da UFRJ e da UERJ. Nas dramaturgias destas cenas, os números da Tabela de Áreas do Conhecimento são sintomas molares, que implicam os modos-de-produção moleculares. Institucionalidades verticais ordenando, em pressão, as micropolíticas das pesquisas em si. O chão da U-n-i-v-e-r-s-i-d-a-d-e, cuja potência é sua aspereza acidentada, se finge liso para constituir continuidade com entendimentos que ignoram a transversalidade da arte e da cultura na vida social, espelhando políticas problemáticas em várias escalas.

(...)

A  proposta para este exercício Pós-Pós-Graduação é partir de alguns motes. A sala de aula é o mundo. A rua é a sala de ensaio. A escrita é corpo. O trabalho de campo é a vida. A palavra é gesto. O pesquisador é um inventor. A invenção é o processo. O cientista é artista. O artista é trabalho. A arte é trabalho. O trabalho é contínuo. A metodologia é criação. A forma é também o conteúdo. O caminho não é somente a estrada percorrida. O erro é bússola. As referências são vozes. O orientador é um leitor, uma escuta, um curioso, um aprendiz. Dissertações e teses são dramaturgias. Dramaturgia não é somente o texto. Defesas são rituais, por isso atos. Os membros da banca são mergulhadores.

 

corpo Figura | Flávia Naves 

Dissertação de mestrado em Performance – UFF (2016)

Flávia Naves é também Caio, performa nas casas e ruas da cidade do Rio de Janeiro desde janeiro de 2013. Formada em Artes Cênicas pela UNIRIO, integrante da companhia Teatro Inominável e mestre em performance pelo Programa de Pós-Graduação em Estudos Contemporâneos das Artes da UFF, não faz distinção entre arte e vida, se diverte com problemas de gênero e tem amplo interesse por provocações em torno da política do corpo e das identidades. Atualmente investiga através da ação de performar Figuras, modos de desarticular e não propagar processos normatizadores e opressores do corpo e, sobretudo, do corpo feminino. Em 2014 foi contemplada com o Prêmio Funarte Artes na Rua e em 2016 convidada a participar do Festival de Performance Atos de Fala.

Serviço
Casa Quintal de Artes Cênicas
Endereço: Rua Silvio Romero, 36 – Santa Teresa
Data: domingo, 11 de dezembro
Horário: 17h