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Nas palavras de Adriana Schneider, curadora convidada para a aba PÓS-PÓS-GRADUAÇÃO:

A ideia é refazer, em modos-de-produção heterodoxos, os ritos das defesas de mestrados e doutorados acadêmicos. Flavia Naves, Haroldo André, Isabel Penoni e Luiza Leite, os artistas-pesquisadores convidados para este experimento, realizaram suas pesquisas nas Grandes Áreas: 8.02.00.00-1 - Letras, 8.03,00.00-6 - Artes e 7.03.00.00-3 - Antropologia, em Programas de Pós-Graduação da UFF, da PUC-RJ, da UFRJ e da UERJ. Nas dramaturgias destas cenas, os números da Tabela de Áreas do Conhecimento são sintomas molares, que implicam os modos-de-produção moleculares. Institucionalidades verticais ordenando, em pressão, as micropolíticas das pesquisas em si. O chão da U-n-i-v-e-r-s-i-d-a-d-e, cuja potência é sua aspereza acidentada, se finge liso para constituir continuidade com entendimentos que ignoram a transversalidade da arte e da cultura na vida social, espelhando políticas problemáticas em várias escalas.

(...)

A  proposta para este exercício Pós-Pós-Graduação é partir de alguns motes. A sala de aula é o mundo. A rua é a sala de ensaio. A escrita é corpo. O trabalho de campo é a vida. A palavra é gesto. O pesquisador é um inventor. A invenção é o processo. O cientista é artista. O artista é trabalho. A arte é trabalho. O trabalho é contínuo. A metodologia é criação. A forma é também o conteúdo. O caminho não é somente a estrada percorrida. O erro é bússola. As referências são vozes. O orientador é um leitor, uma escuta, um curioso, um aprendiz. Dissertações e teses são dramaturgias. Dramaturgia não é somente o texto. Defesas são rituais, por isso atos. Os membros da banca são mergulhadores.

 

“O pior ainda não aconteceu” – Espetáculo, memória e política entre os Luvale do Alto Zambeze (Angola) | Isabel Penoni 

Tese de doutorado em Antropologia Social – UFRJ (2015)

Isabel Penoni é diretora de teatro, cineasta e antropóloga, com pós doutorado pelo Musée du quai-Branly (Paris, França). Desenvolve projetos de criação e pesquisa colaborativa na periferia urbana do Rio de Janeiro e em diferentes áreas indígenas do mundo. É diretora-fundadora do grupo teatral carioca Cia Marginal, assinando a direção dos espetáculos “Eles não usam tênis naique” (2015), “In_Trânsito” (2013), “Ô,Lili” (2011) e “Qual é a nossa cara?” (2007). No cinema, dirigiu “Porcos Raivosos” (10', 2012) e "Abigail” (17', 2016), ambos exibidos na Quinzena dos Realizadores (Cannes 2012 e 2016) e premiados em diversos festivais nacionais e internacionais.

Serviço
Casa Quintal de Artes Cênicas
Endereço: Rua Silvio Romero, 36 – Santa Teresa
Data: quarta-feira, 14 de dezembro
Horário: 16h