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Sinopse

Trinta e sete baleias encalham numa praia paradisíaca e trazem consigo uma onda de perturbação e angústia sobre a Cidade-Balneário.

Sobre a criação

Todos   querem   o   Balneário.   Mar   calmo.   Mar   azul.   Mar   sereno.   Areia   branca. Bucolismo.  Turismo.  Comércio.  Feirinha hippie.  Moda-praia.  Hotel lotado.  Alta temporada.  Gente, carro, lixo.  Passeio de bugre, de escuna e de lancha.  Foto no instagram. Hashtags. Malditas elas, as baleias. Malditas as 37 baleias. Encalhadas na areia da noite para o dia.  Mortas, vivas, mortas-vivas.  Imensas.  Ninguém as viu chegarem.   Só   se   sabe   que   encalharam.   De todas as praias da costa, elas escolheram encalhar no Balneário. Você abre a janela do hotel e lá estão elas. Não mais praia. Apenas a imagem caótica daqueles monstros erráticos que agonizam-apodrecem.  Como artista, me interessa sempre dizer a vida enquanto sobrevivência: os desejos e os conflitos que brotam das situações mais banais. A criação artística é também uma sobrevivência. Balneário Quando Baleia Encalha não é ainda uma peça. Não é um texto pronto. É um começo. São as primeiras impressões, as muitas dúvidas e o assombro diante da natureza.  É um borro aquarelado.  É um mamífero resfolegante que às vezes pensamos ser peixe.  Quem somos agora é o que trazemos nas malas e nas nadadeiras até o Balneário. Temos por ora sanha, a investigação, a dor e o movimento.  É um texto-cena-canção que surge delicado, ora   encalha, ora   nada.   Flutua   também.   Longe   da   areia firme, às vezes mar profundo, às vezes superfície em busca de ar.

Sobre o artista

Rafael Souza-Ribeiro, ator, diretor teatral e dramaturgo, cursou Artes Cênicas com   habilitação em Direção Teatral da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Dirigiu ‘História do Zoológico’, ‘Berenice’ e ‘As Três Irmãs’.  Em 2012, recebeu o prêmio de melhor ator no Amazonas Film Festival pelo trabalho no curta-metragem ‘A Dama do   Estácio’. Escreveu ‘Aos Carnavais Que Não Brinquei’, ‘Apesar de Tanta Coisa’, escreveu e dirigiu ‘Isopor’, uma “instigante   metáfora   da   contemporaneidade”, segundo   Lionel   Fischer. Realiza supervisão de dramaturgia de ‘Afeta-Me Agora ou Desaparecerei com o Tempo’, de Julia Gorman, em cartaz no Rio de Janeiro em dezembro de 2016.

Serviço

Casa Quintal de Artes Cênicas
Endereço: Rua Silvio Romero, 36 – Santa Teresa
Data: 12 de dezembro
Horário: 16h
Duração: 50 minutos
Capacidade: 30 lugares – distribuição de senhas, 60 minutos antes

Equipe de Criação

Dramaturgia, Direção e Interpretação: Rafael Souza-Ribeiro
Fotografia: Dani Ribeiro